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Grupo de pesquisadores apresenta ventilador pulmonar de baixo custo

Covid-19

publicado: 28/07/2020 17h12 última modificação: 30/07/2020 10h16
Exibir carrossel de imagens Pesquisadores desenvolveram o Vent.U2 (Foto: acervo pessoal)

Pesquisadores desenvolveram o Vent.U2 (Foto: acervo pessoal)

Mesmo já se passando alguns meses do enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, muitos hospitais ainda sofrem com a falta de equipamentos para disponibilizar novas vagas de unidades de terapia intensiva (UTIs). Por causa deste problema, pesquisadores da UTFPR criaram um grupo de trabalho e desenvolveram um ventilador pulmonar eletrônico de baixo custo (comparado aos existentes no mercado) e moderno: o Vent.U² .

O grupo é formado por professores dos câmpus Curitiba e Pato Branco, juntamente com um professor do Instituto Federal do Paraná (IFPR), de Campo Largo. Em menos de três meses, a equipe multidisciplinar envolveu pesquisadores das áreas de Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Engenharia Eletrônica, Engenharia de Computação, Design e Física.

O equipamento foi desenvolvido para atender pacientes em quadro grave da Covid-19, a um custo total aproximado de R$ 5 mil, utilizando peças de fácil acesso no mercado nacional. É capaz de prover ventilação mecânica invasiva (VI) e não invasiva (VNI), com a aplicação de pressão positiva nas vias aéreas.

Dentre as especificações, o Vent.U² é capaz de efetuar o ciclo no modo de pressão controlada proporcionando ventilação mandatória e espontânea. O equipamento também é capaz de controlar a quantidade de oxigênio na mistura de entrada e proporcionar PEEP (pressão positiva no final da expiração). Possui sistema de segurança para evitar pressões acima de 40 cmH2O, ajustes de pressão, quantidade de oxigênio, PEEP, tempo de inspiração, número de ciclos por minuto e sensibilidade, além de uma série de alarmes. Possui tela sensível ao toque para realização de ajustes e visualização dos dados, além de apresentação de gráficos de pressão, fluxo e volume por tempo.

 O Vent-U² atende os requisitos regulatórios previstos na prática recomendada 1003 (PR1003) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) de maio de 2020.

No mês de junho, a equipe apresentou o protótipo do equipamento à comunidade e, agora, ele será encaminhado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a sua homologação. Ao ser aprovado, o equipamento será disponibilizado para que as indústrias possam produzi-lo sem cobranças de royalties.

Os testes, durante a apresentação do protótipo, foram acompanhados e aprovados pela diretora da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Pato Branco, Marta Lemes de Souza; pelo médico e diretor técnico do Hospital Thereza Mussi, Evandro Bellotto; pelo médico da UPA e diretor clínico do município de Pato Branco, Gilberto José Lago Almeida, e pelo médico intensivista e coordenador do SAMU de Pato Branco, William Halderied.

Para um dos coordenadores do projeto, professor Ricardo Bernardi, chegar nessa etapa é mostrar para a sociedade que o papel da universidade vai além do ensino. “A universidade está comprometida com seu papel social em mostrar que o trabalho do professor vai além da sala de aula”, destaca.

A equipe responsável por projetar e desenvolver o Vent.U² é formada pelos professores do Câmpus Curitiba Luciano Zart Olanyk, Eunice Liu, Alisson Martins, Celso Salamon, Bertoldo Schneider Junior, Bolívar Teston de Escobar, Christiane Maria Ogg Nascimento Gonçalves Costa, Fábio Schneider e Juliane de Bassi Padilha, e pelo técnico-administrativo Alessandro Ellenberger. Do Câmpus Pato Branco participam da equipe os professores Ricardo Bernardi, Cesar Rafael Claure Torrico, Diego Rizzoto Rossetto, Diogo Ribeiro Vargas, Everton Luiz de Aguiar, Fábio Luiz Bertotti, Gustavo Weber Denardin e Jean Patric da Costa, além do técnico-administrativo Célio Degaraes e do egresso Cleiton Migliorini (atualmente professor da UNISEP). Pelo IFPR-Campo Largo, participa o professor Marcos Hara. 

O projeto foi contemplado pelo edital da UTFPR de ações de combate à Covid-19, recebeu um investimento de R$ 285 mil e conta com o apoio de empresas, voluntários e de recursos repassados pelo Ministério da Educação.