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Planta "cará-do-ar" pode combater células cancerígenas in vitro

Nova descoberta

Estudos de pesquisadores de Pato Branco revelaram uma atividade inédita sobre células leucêmicas
publicado: 22/09/2021 09h26 última modificação: 24/09/2021 11h41

Pesquisadores somaram esforços para estudar as propriedades da planta conhecida como cará do ar, a cará-moela, no combate a células cancerígenas. Já haviam sido descobertas a presença de substâncias farmacológicas importantes nesta planta, porém, pesquisadores do Campus Pato Branco da UTFPR revelaram uma atividade antitumoral inédita sobre células leucêmicas Raji e Jurkat.

De acordo com o professor do departamento de Química do Campus, Edimir Andrade Pereira, para realizar o estudo foram reunidos profissionais de diversas especialidades e instituições de ensino superior como agrônomos, biólogos, químicos, farmacêuticos e geneticistas.

No caso do cará-moela, estudos revelam que as substâncias encontradas são responsáveis pelo seu potencial terapêutico, destacando-se a atividade antimicrobiana, analgésica, anti-inflamatória, anti-hiperglicêmica, anti-hiperlipidêmica, anticancerígena e antioxidante. “Apesar de existirem diversas pesquisas com plantas com potencial antitumoral, existem poucos relatos na literatura científica apresentando frações do extrato bruto ou isolamento e identificação das substâncias responsáveis por essa ação”, explica o professor.

O estudo foi desenvolvido “in vitro”  (fora do organismo vivo), usando células tumorais isoladas. Os resultados demonstraram que tanto o extrato bruto como as frações obtidas demonstraram relevante ação antitumoral contra as células leucêmicas e baixa toxicidade frente às células renais. “Ou seja, demonstram sua eficácia no controle da proliferação de tumores, ao mesmo tempo que apresentam menor toxicidade a células sadias do organismo humano, condição desejada para futura aplicação como medicamento. Também foi confirmada atividade antioxidante expressiva”, afirma o pesquisador Edimir.

Participam do estudo, além de Edimir Pereira; a líder do grupo de pesquisa, Sirlei Dias Teixeira; alunos do mestrado, do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia de Processos Químicos e Bioquímicos (PPGTP), Aline Savi (2018), Jéssica Stadniki (2019) e Beatriz Godoy Martins Moreira (2021); professores do departamento acadêmico de Ciências Agrárias (DAGRO), Giovana Faneco Pereira e Thiago de Oliveira Vargas; o professor do Instituto Federal do Paraná (IFPR – Cascavel), Rodrigo Hinojosa Valdez; Karina MiyukiRetamiro, da Universidade Estadual de Maringá (UEM); Vidiany Aparecida Queiroz Santos, do Centro Universitário de Pato Branco (UNIDEP);  Gilberto Carlos Franchi Junior, da Universidade de Campinas (UNICAMP); Maria Sol Brasseco e Lydia Fumiko Yamaguchi, da Universidade de São Paulo (USP).

A professora Sirlei Teixeira pretende dar sequência aos experimentos, com o objetivo de avaliar diferentes linhagens de tumores humanos, bem como isolar, identificar e purificar as substâncias responsáveis por estas atividades, além de dar início a testes ‘in vivo’ (que ocorre ou tem lugar dentro de um organismo ou em tecido vivo).

Os primeiros resultados, que utilizaram o cará-moela já foram publicados em 2018 no Journal of King Saud University e agora serão encaminhados para publicação em demais revistas internacionais.

Cará-moela

O cará-moela (Dioscorea bulbifera L.) é uma planta de origem asiática e africana, naturalizada no Brasil, e é um dos raros tubérculos que não nascem enterrados. São aéreos e se desenvolvem pendurados na planta, conhecidos como "cará do ar". Por não estar inserido em um sistema de cultivo comercial,  sem uma cadeia produtiva organizada, é considerada uma Planta Alimentícia Não Convencional (Panc).

Após serem cozidos no vapor ou em água, podem entrar na composição de uma vasta lista de pratos culinários como purês, patês, refogados, sopas, caldos, cremes, tortas e muito mais. Também podem ser consumidos assados ou fritos. Os tubérculos são ricos em amido e glúten e, após secagem, podem ser transformados em farinha para panificação ou usados como fonte de amido para a indústria de fármacos e cosméticos. Seus tubérculos, folhas e flores possuem propriedades medicinais.