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"É vital consolidar um modelo de tecnológica", afirma reitor

Entrevista

publicado: 20/12/2019 15h19 última modificação: 20/12/2019 15h54
Luiz Alberto Pilatti, reitor da UTFPR (Foto: Decom)

Luiz Alberto Pilatti, reitor da UTFPR (Foto: Decom)

Em entrevista na última edição da Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia (RBECT), publicada neste mês de dezembro, o reitor da UTFPR Luiz Alberto Pilatti destacou as perspectivas para a educação superior pública brasileira e os diferenciais que fazem da UTFPR uma universidade tecnológica. O gestor lembrou o início da instituição, criada para ensinar ofícios à população carente da época, em 1909, até às recentes conquistas como, por exemplo, o reconhecimento da instituição em diferentes rankings internacionais.

“Hoje, a UTFPR está ao lado da Universidade Federal do ABC (UFABC) como a mais importante jovem universidade brasileira, inserida no grupo com menos de 30 anos de existência. Esse reconhecimento é inquestionavelmente, fruto de uma história de transformações exitosas e do legado delas decorrentes”, afirma.

Questionado pelo fato de qual seria o contexto tecnológico da instituição na educação superior, já que é a única universidade tecnológica do país, o reitor explica que é difícil comparar as universidades, justamente porque seus projetos de concepção são diferentes. “A referência mais próxima, sob o viés tecnológico, mesmo sendo um instituto militar, talvez, seja o Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Por isso, nossa referência deve ser internacional. Do ponto de vista conceitual, inexiste um conceito aceito e congruente com as diferentes realidades nas quais estão inseridas as universidades tecnológicas mundo afora”, destaca.

Esse modelo, segundo Pilatti, é um dos desafios da instituição, inclusive por sua consolidação identitária. “Quando o docente não tem a referência do que é uma universidade tecnológica, apresenta a tendência de replicar aquilo que fez parte de sua formação em uma universidade clássica. Neste sentido, a construção e a consolidação de um modelo é vital para nosso futuro. Ser a única tecnológica no Brasil nos transforma, necessariamente, em referência nacional e na América Latina. É algo que está longe de ser simples, trivial, para uma jovem universidade”.

Particularidades de uma universidade tecnológica

Além disso, continua, a legislação brasileira não suporta aquilo que é comum nas universidades tecnológicas existentes ao redor do mundo como, por exemplo, o regime de trabalho: “Uma característica desejável num professor desta universidade é a atuação concomitante com o setor produtivo. A legislação brasileira, apesar de não impedir, na prática, de múltiplas formas, inviabiliza tal possibilidade”.

Ainda segundo o gestor, a relação com o mundo do trabalho é outro diferencial da UTFPR, uma vez que a instituição conta com um número significativo de mestrados e doutorados profissionais. “Isso reforça a ideia da universidade como tecnológica e a transforma em referência nacional na questão da interação com o mundo do trabalho. Daqui a uma ou duas décadas haverá profissões e tecnologias que sequer imaginamos hoje e precisamos acompanhar essa evolução”, ressalta.

Internacionalização

Outro destaque apontado por Pilatti é o processo de internacionalização da UTFPR. Durante os últimos anos, foram firmados dezenas de acordos de cooperação e parceria com universidades de vários países; além dos de dupla diplomação dos cursos de graduação e dos programas de pós-graduação. 

“A internacionalização é um processo complexo e que vai muito além da simples mobilidade acadêmica: de discentes e docentes. Para que a internacionalização efetivamente aconteça é necessária a presença de estudantes de outros países nos câmpus da universidade; da realização de pesquisas internacionais conjuntas com financiamento compartilhado; do desenvolvimento de projetos de pesquisas cooperativos com instituições internacionais; de parcerias internacionais no plano interno; do grau de imersão internacional no currículo, entre tantos outros. Assim, a internacionalização não é um processo de curto prazo. É preciso, primeiro, fazer a internacionalização em casa”, completa. “As portas para o mundo se abriram para nossos gestores acadêmicos, docentes e estudantes”.

Ao comentar sobre os cortes de recursos, os quais sofreram as universidades federais nos últimos anos, o reitor afirma que isso produzirá efeitos que só serão revertidos com décadas de investimentos.

“É uma espécie de condenação do Brasil à condição de exportador de commodities e de importador de tecnologia. No contexto atual, a situação da Capes, do CNPq, da Finep, do MCTIC, entre outras agências, é crítica. O sistema, vital para o país, não pode ser, de forma alguma, desmontado. A pesquisa de ponta é cara, exige tempo, necessita de capacitação. O problema é vê-la como custo. Não o é, é investimento. O sistema das universidades públicas brasileiras é o mais importante da América Latina. O desmonte deste sistema terá um custo imensurável para o futuro. A falta de investimentos na pesquisa é, talvez, a mais grave forma de desestruturação de um sistema que, mesmo produzindo mais de 95% do conhecimento gerado no Brasil, começa a agonizar. O investimento público, como em todo mundo, é necessário”, destaca.

Avanços

Destacou ainda a importância da autonomia universitária como mecanismo que viabiliza uma melhor gestão das instituições e as recentes conquistas da UTFPR. “A instituição criou o projeto UTFPR Digital, com a implantação de sistemas como o Sistema Eletrônico de Informação (SEI); a integração dos sistemas da pós-graduação com o Repositório Institucional da UTFPR (Riut); a biblioteca digital que disponibiliza acervo de centenas de milhões de publicações; a implantação, a partir do próximo ano, da Política de Licenciamento de Trabalhos de Conclusão de Curso (...) Além disso, a Universidade conquistou avanço em ranqueamentos nacionais e internacionais”.

"Acredito na nossa comunidade acadêmica e acredito, a seguir neste caminho, que UTFPR alcançará conquistará a condição de uma universidade de classe mundial”, finaliza.

A íntegra da entrevista pode ser conferida gratuitamente no site do periódico.