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Eficiência Energética e P&D

UTFPR inaugura Usina de Minigeração Fotovoltaica e compartilha primeiros resultados
publicado: 19/03/2020 16h34 última modificação: 19/03/2020 16h34
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Fotos aéreas da Usina de Minigeração da UTFPR, Câmpus Pato Branco, e solenidade de inauguração

Na tarde do dia 09 de março, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Câmpus Pato Branco, realizou a inauguração da Usina de Minigeração Fotovoltaica, com capacidade de geração de 581MWh/ano a partir de 420kWp de potência instalada. A usina foi implantada com recursos do Projeto Prioritário de Eficiência Energética e Estratégico de P&D: “Eficiência Energética e Minigeração em Instituições Públicas de Educação Superior”, em que a Copel habilitou por meio da Chamada Pública VPDE 001/2017 o projeto apresentado pelos pesquisadores da UTFPR, Câmpus Pato Branco.

A chamada, tinha como objetivo “a concretização de projetos de eficiência energética e da implantação de sistemas de geração própria de energia (na escala da minigeração) que sirvam de referência e possam instituir caminho ao rompimento de uma série de entraves ou obstáculos à implantação de projetos e ações de mesma natureza no setor público. Nesse contexto, a COPEL DIS, através deste edital, teve interesse em receber Propostas de Projetos que possibilitem o estabelecimento de centro de referência, por intermédio de pilotos e demonstrativos em Instituições Públicas de Educação Superior, os quais serviriam de exemplo e comparação para a formulação e a implementação de ações conjuntas e coordenadas em vários órgãos e instituições públicas do país. Espera-se que a execução desses projetos forneça subsídios importantes para a formulação de políticas públicas de combate ao desperdício de energia elétrica em unidades consumidoras da administração pública (nas esferas federal, estadual e municipal)”.

A partir destas premissas, o projeto orçado em praticamente R$ 8 milhões, apresentado e contemplado pelos pesquisadores da UTFPR, Câmpus Pato Branco, propôs a eficientização das instalações do Câmpus e vem sendo desenvolvido, desde 2017, em duas frentes: projeto de eficiência energética e projeto de pesquisa e desenvolvimento.

Eficiência energética

A Usina de Minigeração Fotovoltaica inaugurada é uma das ações do projeto de eficiência energética. A execução do projeto oportunizou a troca de mais de 8 mil lâmpadas e luminárias ineficientes por tecnologia LED, no período entre agosto e dezembro de 2019 e a instalação de 1236 painéis fotovoltaicos.

Destaca-se que, antes de qualquer ação de eficiência energética, foi realizado o serviço de Medição e Verificação, seguindo o Protocolo Internacional de Medição e Verificação de Performance (PIMVP), da EVO (Efficiency Valuation Organization). Este serviço é realizado antes e depois das ações que irão impactar do consumo de energia. Neste caso, foram feitas medições no sistema de iluminação antes da troca das lâmpadas e depois da troca, para comparar os sistemas de iluminação e comprovar as economias prometidas no projeto aprovado. Quanto a usina, a medição será feita apenas após o início da operação por um período de 12 meses, para verificar se a produção de energia corresponde às simulações apresentadas na fase de habilitação da proposta.

De acordo com professor Jean-Marc Stephane Lafay, coordenador do projeto de eficiência energética, foi feita a instalação de um sistema de medição de energia elétrica em todos os blocos do câmpus e analisadores de energia nos transformadores que recebem energia da Copel. “Para monitorar qual era a nossa qualidade de energia antes do projeto e pós implantação das ações de eficiência energética”, completa o coordenador.

Outra ação executada foi a Etiquetagem de um bloco do Câmpus, segundo o Programa Brasileiro de Etiquetagem, do Procel Edifica, composta por uma consultoria, um curso e a inspeção in loco, finalizado em setembro de 2019. A edificação etiquetada foi o Bloco J1 e recebeu a etiqueta A no quesito iluminação.

Além disso, foi contratada uma consultoria para criação de um Sistema de Gestão de Energia nos moldes da norma NBR ISO 50001, que avalia todos os processos de gestão de energia e determina parâmetros para que a universidade possa pleitear este selo, que atesta a excelência da instituição na gestão de recursos energéticos. “Isso nos colocaria como uma das primeiras universidades do país a sermos certificadas (com o ISO 50.001)”, completa Lafay.

Entre maio e outubro de 2019, ocorreu a Instalação de um Sistema de Medição, que conta com 27 multimedidores de grandezas elétricas, um em cada bloco do Câmpus, e 5 analisadores de qualidade de energia, um em cada transformador e um portátil, além de software para análise dos dados. Destaca-se, ainda, ações de treinamento e capacitação realizadas ao longo do projeto para todos os públicos do Câmpus, realizando palestras informativas e sensibilizações aos usuários.

O coordenador explica que o sistema também envolve um processo de transformação cultural sobre o consumo de energia, trabalho que integra especialmente ações conjuntas das comissões de gestão de recursos da universidade, e envolve alunos e servidores.

A geração de energia da usina, em conjunto com as ações do projeto irão gerar uma economia de mais de 340 mil reais por ano em energia elétrica, o que representa quase 40% do recurso total destinado ao pagamento de energia elétrica.

Neste momento, com a usina em funcionamento, inicia-se a fase final, em que são medidos os resultados de geração da usina, a partir do serviço de Medição e Verificação (M&V), que ocorrerá durante os próximos 12 meses. Passado o período de M&V, será feito um relatório de conclusão do projeto, contendo todos os resultados de cada ação realizada.

Segundo a Analista de Eficiência Energética do Câmpus, Elisa Basei, “este projeto deixa um legado valioso ao tratar de gestão de energia, em especial pela criação da Comissão de Sistema de Gestão de Energia, que acompanha e realiza ações para o uso eficiente de energia do Câmpus, não só elétrica como de combustíveis fósseis (gasolina, diesel, álcool e GLP), além de trabalhar constantemente na sensibilização dos usuários do Câmpus, acreditando que as pessoas representam um fator chave para a perpetuidade das ações de eficiência energética realizadas no Câmpus”, considerou.

Pesquisa e desenvolvimento (P&D)

A outra frente do projeto envolve ações ligadas a produção de conhecimento. O coordenador da área de pesquisa e desenvolvimento do Sistema de Gestão de Energia, professor Jean Patric da Costa, explica que há metas ligadas a formação, como por exemplo o apoio a projetos de conclusão de curso, estágios e projetos de iniciação científica nas áreas de Engenharia Elétrica e Engenharia de Computação.

Também há o desenvolvimento de dissertações de mestrado na área de geração fotovoltaica, treinamentos e workshops voltados à comunidade, além da produção de trabalhos publicados em periódicos de impacto internacional, que trazem os resultados das pesquisas realizadas. Costa acrescenta também o interesse das indústrias em desenvolver produtos com as tecnologias desenvolvidas em laboratório.

Durante a solenidade inaugural, o engenheiro eletricista e responsável pelo departamento de Gestão da Inovação da Distribuição, da COPEL, Fabio Maciel Borges, comentou sobre o desafio de um projeto desse porte. “Num momento de contingenciamento de bolsa em nosso país, de pesquisa, uma ação como essa é sem igual”. Em suas considerações pontuou o trabalho da equipe envolvida e bom andamento dos trabalhos. “O mais importante em um projeto desse porte, é o gestor, a parte humana, a pessoa que vai realizar o sonho. Toda a equipe da UTFPR sempre esteve muito engajada, separou bem os dois times, eficiência energética (EE) e pesquisa e desenvolvimento (P&D). Sempre houve bastante sinergia e muito afinco. Era um projeto muito desafiador, foram lançados seis editais, e fazer as coisas funcionarem é complicado”, destacou. Borges, também falou que a companhia disponibiliza anualmente editais para projetos de eficiência energética. Neste ano, a chamada pública soma R$ 100 milhões para projetos de empresas e outras instituições públicas, privadas e organizações filantrópicas.

Para o diretor-geral do Câmpus, Idemir Citadin, uma das grandes contribuições do projeto foi o de promover a mudança de cultura quanto ao tema sustentabilidade, ação esta que vem sendo desenvolvida com intensidade no Sistema UTFPR, com a implantação da Comissão da Logística Sustentável, a qual é vista como referência atualmente para as universidades. Segundo ele, o engajamento e conscientização de toda a comunidade acadêmica já representa ganhos consideráveis na redução do consumo de energia. Até o momento “na ação de conscientização, na mobilização, falando com os estudantes, com os servidores, nós conseguimos economizar 15%. Nós temos a intenção de promover a mudança por intermédio desse Projeto, a economia de 35%”, declarou Citadin. Por fim, o diretor-geral agradeceu à Copel, financiadora do Projeto, pela destinação dos recursos financeiros para esta iniciativa, que se configura como o principal projeto em execução durante sua gestão do Câmpus.

Em seu pronunciamento, o reitor da UTFPR, professor Luiz Alberto Pilatti, falou de alguns diferenciais e indicadores que destacam a Instituição. “A UTFPR é uma universidade distinta de todas as outras universidades do Brasil”. Exemplificou os editais lançados pelo Ministério da Educação (MEC), relacionado às miniusinas e placas, em que a UTFPR foi a instituição que mais ganhou, dentro da proporcionalidade. Outro indicador que se referiu foi a avaliação realizada pelo MEC, classificando a UTFPR uma das três universidades do Brasil com conceito 5 (sendo 5 em qualidade e 5 em eficiência). Nesse viés declarou que “a eficiência é feita dessa forma, se redesenhando, se aproximando do setor produtivo com as parcerias e criando soluções”. Continuou falando da importância do papel da Instituição que é “a produção de conhecimento, avançar na pós-graduação, de forma que se melhore a vida das pessoas”. Segundo ele “o caminho para isso acontecer permeia a transferência de tecnologia”. A implantação desse sistema de gestão de energia é importante para a instituição do ponto de vista da gestão financeira, acrescido ao fato de ter ligação com a sustentabilidade.

A solenidade foi prestigiada pelas autoridades: Marcos Flávio de Oliveira Schiefler Filho, diretor-geral do Câmpus Curitiba da UTFPR, Geri Natalino Dutra, Secretário Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pato Branco; Oraldi Caldato, presidente do Sindicato Rural de Pato Branco, representando a Agência de Desenvolvimento do Sudoeste do Paraná, diretores de área do Câmpus, servidores e acadêmicos.