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Bolsista do Pibic-EM é um dos destaques do Sicite 2017

Ensino Médio

publicado: 27/11/2017 15h46 última modificação: 15/12/2017 09h05
Aluna do curso técnico em Informática do IFPR, Beatriz Maestro dos Santos apresentou um dos melhores trabalhos do Sicite 2017

Aluna do curso técnico em Informática do IFPR, Beatriz Maestro dos Santos apresentou um dos melhores trabalhos do Sicite 2017

Quem acha que só alunos da graduação podem fazer parte de projetos de iniciação científica na UTFPR está enganado. O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) também concede bolsas para alunos do ensino médio, que têm a possibilidade de atuar na área da pesquisa antes mesmo de entrar no ensino superior. E um desses projetos, desenvolvido no Câmpus Londrina, foi eleito o melhor trabalho na categoria pôster da área Ciência da Computação no XXII Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica da UTFPR (Sicite 2017).

O trabalho “Automação de uma secadora solar de vegetais” foi orientado pela professora Lyssa Setsuko Sakanaka, do Departamento Acadêmico de Alimentos do Câmpus Londrina, e apresentado no Sicite pela estudante Beatriz Maestro dos Santos, do curso Técnico Integrado em Informática do IFPR-Londrina. A ideia foi construir um sistema automatizado de baixo custo para uma secadora solar de alimentos, com a intenção de disponibilizá-la a produtores rurais para que possam aproveitar excedentes de produção e, ao mesmo tempo, agregar valor a esses produtos.

Para isso, foi desenvolvida uma prototipação que conta com componentes eletrônicos e programação a partir de uma placa de prototipagem - o Arduino - e programação na linguagem C/C++. Para monitoramento de temperatura, umidade relativa e peso da amostra durante secagem, foram usados sensores DHT22 e de carga. O sistema possui ainda um display LCD para exibição dos dados que também foram armazenados e um cooler. No total, a prototipagem teve um custo de R$ 306. “Esse valor é considerado um investimento relativamente baixo, pensando na possibilidade de uso por comunidades ou associações de produtores rurais”, afirma Lyssa.

As atividades realizadas durante a iniciação científica pela bolsista Beatriz dos Santos estavam previstas no plano de trabalho “Secador solar: sistema automatizado de controle de temperatura e umidade relativa”, inserido no projeto de pesquisa “Estudo da cinética de secagem do tubérculo Amorphophallus Koch Konjac”. Primeiro, houve o interesse pela secagem solar, que surgiu de uma parceria entre os professores Lyssa e Roger Nabeyama Michels, do Departamento Acadêmico de Engenharia Mecânica (Daeme), do Câmpus Londrina. Considerando a boa oferta de energia solar na região de Londrina, os pesquisadores pensaram na possibilidade de oportunizar uma maneira mais barata de realizar a secagem de alimentos.

Assim, o professor Roger construiu a secadora e a professora Lyssa realizou ensaios com alimentos. No entanto, durante o processo de secagem solar, foi observada uma grande variação de temperatura e umidade relativa dentro da câmara da secadora, o que poderia prejudicar a qualidade dos alimentos secos. “Então surgiu a ideia de automatizar a secadora, de modo que se pudesse controlar melhor a temperatura e a umidade relativa do processo”, conta a professora.

Segundo Lyssa, com a automatização, foi possível realizar ensaios de secagem com maior controle de temperatura, umidade relativa e peso. “A coleta desses dados num estudo de processo de secagem é muito importante para garantir uma secagem adequada e um produto de qualidade”, explica, acrescentando que ainda há necessidade de alguns ajustes na secadora solar e que o projeto segue sendo realizado, com algumas modificações.

Sobre o Pibic Ensino Médio (Pibic-EM), Lyssa conta que a parceria começou quando um dos professores do IFPR, Jefferson Sussumo de Aguiar Hachiya, fez o mestrado no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia de Alimentos (PPGTAL) do Câmpus Londrina. “Como havia um interesse em trabalhos conjuntos, quando saiu o programa Pibic-EM resolvi tentar e a Beatriz foi contemplada com uma bolsa financiada pelo CNPq”, completa.

Para Beatriz, fazer parte da iniciação científica tem sido surpreendente. “Antes do Ensino Médio eu nem imaginava que existia pesquisa em escolas e universidades envolvendo alunos. Quando recebi o convite não pensei duas vezes para aceitar. Senti-me honrada em poder fazer parte desse projeto que além de tudo é vinculado a uma universidade tão conceituada”. Quanto à premiação no Sicite, Beatriz diz que se sentiu recompensada. “Eu não esperava ficar entre os melhores, principalmente por haver tantos trabalhos bons e de alunos que já estão cursando uma graduação”, acrescenta.

Beatriz, que está terminando o curso no IFPR, pretende fazer a graduação em Medicina. Por conta da participação no Pibic-EM, ela afirma que a experiência a fez querer trabalhar com pesquisa dentro da área que escolheu. “Ter desempenhado essa pesquisa me fez desenvolver diversas habilidades que eu não sabia que tinha. Melhorei minha oratória, uma vez que tive o trabalho publicado em alguns eventos, o que me fez também ter um currículo amplo nessa área. Sinto-me preparada para uma iniciação científica na universidade”, afirma a aluna, que aproveitou o projeto desenvolvido no trabalho de conclusão do curso técnico.

Para a professora Lyssa, o Pibic-EM contribui na inclusão de alunos do ensino médio à pesquisa científica e tecnológica básica, permitindo o desenvolvimento de habilidades e despertando o interesse dos estudantes por cursos de graduação da própria UTFPR ou de outras instituições de ensino superior. “É muito gratificante ver os alunos crescerem profissionalmente, e pessoalmente também, pois eles são instigados a buscar informações, a ter responsabilidades, a trabalhar em equipe e na interdisciplinaridade das áreas”, conclui a pesquisadora.