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Como a estatística pode auxiliar a cura do câncer de mama?

Outubro Rosa

publicado: 24/10/2018 09h42 última modificação: 24/10/2018 09h42

Analisar as características de um tumor e, com isso, aumentar a chance de cura de pacientes com câncer de mama é o que propõe um estudo iniciado no ano de 2016 pelo pesquisador do Câmpus Apucarana, Thiago Gentil Ramires.

A pesquisa foi feita durante o doutorado de Ramires, o qual realizou uma parte dos estudos na Universidade de Hasselt, na Bélgica. “Um dos pesquisadores da Bélgica me apresentou um banco de dados com informações específicas de câncer de mama que precisava ser estudado. Foi a partir daí que a pesquisa teve início”, destaca.

O professor de estatística dos cursos de Engenharia do Câmpus também faz parte do principal grupo de estudos estatísticos do Brasil. Através deste grupo, os pesquisadores Gauss Moutinho Cordeiro, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Edwin Moises Marcos Ortega, da Universidade de São Paulo (USP), o pesquisador e médico da Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, Michael Kattan, além do pesquisador belga Niel Hens, participaram do projeto.

Segundo o professor Thiago Ramires, com os estudos, foi possível verificar que o tamanho e o gradiente do tumor, assim como o seu estado linfonodal, são variáveis significativas na probabilidade de cura do câncer.

“Observamos que a probabilidade de cura, com relação a idade, não é algo linear, a qual aumenta conforme a idade aumenta e, após aproximadamente 45 anos, a probabilidade começa a decair. Isso se dá pelo fato de que a cura do câncer de mama é elevada, quando tal patologia é diagnosticada precocemente”, complementa.

A pesquisa ainda revela alguns fatores que interferem na probabilidade de cura. São eles: tratamento hormonal, receptor de progesterona, o tamanho e gradiente do tumor, além da idade.

“Podemos concluir ainda que mulheres jovens não dão atenção ao câncer de mama, fazendo com que o mesmo não seja diagnosticado no início. E, com o passar do tempo, as mulheres também param de dar a devida importância para tal patologia”, conclui o pesquisador ao apresentar um dos gráficos dos seus estudos.

Os resultados, que trazem novas perspectivas também com relação ao tempo de vida dos pacientes, já foram publicados em meios científicos internacionais.

“Com isso, recebemos contatos de pesquisadores chineses, que querem adaptar nossa pesquisa para casos de derrame cerebral. Também já apresentamos os resultados em Portugal. As perspectivas são excelentes, já que o método está pronto e implementável imediatamente. Queremos apresentá-lo a hospitais para que ele seja usado em várias áreas da Saúde”, destaca.

Para o professor Thiago Ramires, a pesquisa, por ser uma proposição de modelos estatísticos, pode ser utilizada para explicar o comportamento de diversas patologias.

Câncer de mama

Quando diagnosticado e tratado no estágio inicial (nódulo menor que 1 cm de diâmetro), as chances de cura do câncer de mama são de até 95%. Segundo as estatísticas, o Brasil teve cerca de 576 mil novos casos de câncer entre 2014 e 2015, dos quais mais de 57 mil eram de mama. Além disso, é o tumor maligno mais comum entre as mulheres e o que mais causa mortes.