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Parasito de peixes pode manipular seus hospedeiros, aponta estudo

Ecologia

publicado: 06/12/2017 10h49 última modificação: 06/12/2017 10h56
A imagem mostra a migração de parasitos para a parte frontal do olho do peixe ao receberem estímulo de luz. Com isso, o peixe fica mais suscetível à predação por aves, que são os hospedeiros definitivos de tal parasito

A imagem mostra a migração de parasitos para a parte frontal do olho do peixe ao receberem estímulo de luz. Com isso, o peixe fica mais suscetível à predação por aves, que são os hospedeiros definitivos de tal parasito

Em artigo publicado na edição de agosto da revista Frontiers in Ecology and the Environment, os professores Igor de Paiva Affonso, do Câmpus Ponta Grossa, e Letícia Karling, do Câmpus Dois Vizinhos, apresentaram um estudo que indica que parasitos manipulam peixes para alcançar seus hospedeiros definitivos e completar seus ciclos de vida. O artigo Light-induced eye-fluke behavior enhances parasite life cycle é resultado do projeto de pesquisa “Comportamento e evolução da interação de vermes oculares em peixes” e foi produzido em conjunto com os pesquisadores Luiz Carlos Gomes (UEM), Ricardo Takemoto (UEM) e Anders Nilsson (Lund University, Suécia).

As investigações a respeito das interações entre a espécie de parasito Austrodiplostomun compactum, da família Diplostomidae, e a espécie hospedeira de peixe Satanoperca pappaterra, da família dos ciclídeos, tiveram início em 2012, na planície de inundação do alto rio Paraná. O objetivo foi compreender as influências de ações do parasito ocular no comportamento de seus hospedeiros. Para isso, os pesquisadores contaram com financiamento da Capes e do CNPq.

Os peixes são os hospedeiros intermediários dos parasitos investigados e estes só conseguem completar seu ciclo de vida se forem ingeridos por uma ave, como uma garça. “Assim, não é interessante para o parasito que o peixe seja devorado por outro peixe ou por um jacaré, pois o parasito seria igualmente digerido”, explica o professor Igor Affonso.

De acordo com os pesquisadores, os resultados mostram que os parasitos, estrategicamente, ocupam áreas do globo ocular onde não atrapalham a visão dos peixes. Porém, esta espécie evoluiu de maneira a migrar para regiões do olho onde consegue comprometer a visão dos peixes, especificamente em horários que coincidem com a hora de intensa atividade alimentar das aves, no início da manhã.

Com isso, o peixe consegue escapar de predadores que buscam alimentos em outros horários do dia, mas ficam mais vulneráveis quando as aves estão caçando intensamente. “Isso significa que os parasitos estão manipulando os peixes para alcançar seus hospedeiros definitivos, que são as aves, e, assim, completar com sucesso seus ciclos de vida”, conclui Igor.

Antes da divulgação dos resultados da pesquisa, os parasitólogos costumavam presumir que a distribuição do parasito A. compactum dentro do globo ocular da espécie S. pappaterra era aleatória. “Até então não se sabia ao certo como os parasitos agiam e se existia de fato alguma característica que indicasse tão precisamente a co-evolução entre as duas espécies”, conta Igor, completando que o artigo, muito bem recebido pela comunidade científica, contribui com informações precisas e inéditas sobre interação parasito-hospedeiro e provê insights sobre evolução e ecologia.

A revista Frontiers in Ecology and the Environment, que publicou o resultado da pesquisa, está vinculada à Sociedade Americana de Ecologia (ESA), órgão institucional com maior número de cientistas associados no mundo atualmente. Com critérios rigorosos para publicação e fator de impacto 8.04 (índice que contabiliza as citações recebidas e serve de métrica para avaliar revistas científicas), a Frontiers in Ecology and the Environment é um dos periódicos mais importantes da área da Ecologia no mundo.