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Perda de solo acima da média atinge 43% da bacia do Rio Marrecas

Meio ambiente

publicado: 20/12/2017 09h27 última modificação: 20/12/2017 09h30
Bacia hidrográfica do Rio Marrecas abrange o perímetro dos municípios de Francisco Beltrão, Marmeleiro e Flor da Serra do Sul, no Sudoeste do Paraná

Bacia hidrográfica do Rio Marrecas abrange o perímetro dos municípios de Francisco Beltrão, Marmeleiro e Flor da Serra do Sul, no Sudoeste do Paraná

Um estudo realizado no Câmpus Francisco Beltrão identificou que 43% da bacia do Rio Marrecas apresenta atualmente perda de solo acima da média. A constatação faz parte do trabalho “Quantificação da erosão laminar na bacia hidrográfica do rio Marrecas, no Sudoeste do Paraná”, apresentado durante o XXII Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica da UTFPR (Sicite 2017) e eleito o melhor na categoria pôster da área de Geociência.

Realizada pela aluna de Engenharia Ambiental e bolsista de iniciação científica Ana Paula Ranzan, com orientação do professor Julio Caetano Tomazoni, do Departamento Acadêmico de Engenharia Ambiental, a pesquisa integra um projeto maior, intitulado “Estudo do processo erosivo laminar dos solos da bacia do Rio Marrecas no Sudoeste do Paraná”. Denominado erosão laminar, o fenômeno investigado é o processo de "lavagem" dos solos - ou seja, de retirada da camada superficial de sedimentos - pela água das chuvas ou pelos ventos, causando desgaste.

De acordo com o professor Tomazoni, o projeto é de fundamental importância para o estudo do impacto ambiental na bacia do Rio Marrecas. “A quantificação do processo erosivo laminar em toda a bacia permite a identificação das áreas onde este fenômeno é mais intenso. Com esse diagnóstico, é possível sugerir adequações nas formas de uso do solo, de acordo com a aptidão de uso de cada área da bacia”, explica o pesquisador. 

A metodologia empregada foi a quantificação da erosão laminar, através da Equação Universal de Perdas de Solo (EUPS). Para isso, a EUPS foi sistematizada no Sistema de Processamento de Informações Georeferenciadas (Spring) – um Sistema de Informações Geográficas (SIG) no estado-da-arte com funções de processamento de imagens, análise espacial, modelagem numérica de terreno e consulta a bancos de dados espaciais.

O levantamento dos dados foi realizado durante um ano e levou em conta diversos fatores, como a erosividade causada pela chuva, erodibilidade do solo, fator topográfico e uso e manejo de práticas conservacionistas. No total, o projeto foi realizado no período entre agosto de 2016 e julho de 2017.

A partir de 50 amostras coletadas na bacia do Rio Marrecas, que abrange o perímetro dos municípios de Francisco Beltrão, Marmeleiro e Flor da Serra do Sul, e analisadas nos laboratórios da UTFPR, foi determinada a erodibilidade do solo. Para determinar o fator uso e manejo, o estudo utilizou imagens de satélite. Para determinar o fator erosividade das chuvas, forma utilizadas as precipitações médias mensal e anual, fornecidas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e pelo Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar). O fator topográfico foi determinado usando-se como base as Cartas Geográficas do Exército, na escala 1:25000.

O resultado dos trabalhos aponta que 43% da bacia apresenta perda de solo acima da média suportada para os tipos de solos existentes na bacia. De acordo com o professor Tomazoni, um dos fatores é que parte dos plantios na área da bacia não possui práticas conservacionistas adequadas. “Os processos erosivos ocorrem naturalmente, mas algumas ações como desmatamento, atividades agropecuária e manejo inadequado do solo podem intensificá-los”, afirma.

O estudo continua com o projeto “Sistematização dos fatores da EUPS no SPRING, para determinar a capacidade de uso do solo da Bacia do Rio Marrecas”, que teve início em agosto de 2017 e será finalizado em julho de 2018. Nesta etapa, será feito um levantamento do tipo de cobertura de solo mais adequado para a bacia e das melhores práticas para controlar o processo erosivo. Ao final do trabalho, será lançada uma carta de capacitação de uso do solo que poderá orientar tanto os órgãos públicos como os produtores durante o manejo.