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Pesquisa aponta que direção do vento influencia mais que o nível da água no concreto

Cloro X Corrosão

publicado: 25/02/2019 09h02 última modificação: 25/02/2019 09h06
Estudos foram feitos na cidade de Guaruja (SP)

Estudos foram feitos na cidade de Guaruja (SP)

Um estudo de pesquisadores da UTFPR analisou a presença de cloro em amostras de concretos de estruturas marinhas. O aluno Thiago Alessi Reichert, ao lado dos professores do Câmpus Toledo, Carlos Eduardo Tino Balestra e Gustavo Savaris, detectaram a concentração de cloretos em estruturas instaladas há mais de 40 anos em diferentes zonas de agressividade marinha.  As amostras foram colhidas no litoral do estado de São Paulo, na região Ilha dos Arvoredos, localizada na cidade de Guarujá.

Os resultados obtidos mostraram que as estruturas apresentaram concentrações de cloreto acima de 0,05% em relação a massa de concreto de até 5 cm de profundidade. A concentração de cloretos foi mensurada por meio da técnica de espectroscopia de fluorescência de raios-X e para determinação de propriedades. Além disso, estruturas presentes em zona de respingos e de variação de maré apresentaram as maiores concentrações de cloretos nos perfis.

Para o professor Carlos Balestra, o estudo contribui para o desenvolvimento de modelos que possam estimar qual a vida útil de uma estrutura de concreto em ambiente marinho. “É uma importante contribuição, uma vez que muitos estudos que existem na literatura são baseados em ensaios sob condições controladas em laboratório e, neste caso apresentado, tratam-se de estruturas reais há anos em ambiente marinho. Além disso, com estas informações, é possível realizar, de maneira planejada, quais ações de manutenção devem ser tomadas ao longo da vida útil das estruturas de concreto, permitindo assim, uma melhor gestão de recursos financeiros”, explica. 

 Outro levantamento das pesquisas foi a observação de que nos perfis de cloreto, a análise das estruturas em relação a direção predominante dos ventos é um fator mais importante se comparados com a altura a qual a estrutura se encontra em relação ao nível da água.

“O vento é o responsável pela formação de ondas no mar e também pela formação e transporte do que chamamos de névoa salina, a qual apresenta grande concentração de cloretos. Desta forma, os cloretos presentes nesta névoa são transportados e acabam se depositando na superfície de concreto e, posteriormente, penetrando no concreto e levando a corrosão das barras de aço”, complementa o professor Balestra.

Segundo as análises, as estruturas localizadas na direção predominante dos ventos estão sujeitas a uma maior deposição de cloretos na superfície do concreto, havendo assim, mais chances de corrosão.

A presença de camadas de pintura na superfície do concreto também mostrou ser capaz de restringir a deposição de cloretos na superfície, afetando a concentração de cloretos no pico, porém, a camada de pintura não afeta a posição do pico no perfil da estrutura.

O estudo foi publicado em um dos mais renomados jornais da área de Engenharia Civil do mundo, o Construction and Building Materials, Qualis A1 : "Contribution for durability studies based on chloride profiles analysis of real marine structures in different marine aggressive zones.