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PPGEC/UTFPR terá câmaras climáticas de baixo custo para estudos

Conforto ambiental

publicado: 13/12/2017 11h41 última modificação: 14/12/2017 09h18
Exibir carrossel de imagens Duas câmaras climáticas estão sendo construídas na sede Ecoville do Câmpus Curitiba (foto com perspectiva)

Duas câmaras climáticas estão sendo construídas na sede Ecoville do Câmpus Curitiba (foto com perspectiva)

De forma inédita no país, estão sendo construídas na sede Ecoville do Câmpus Curitiba duas câmaras climáticas de baixo custo para estudos de conforto ambiental e arquitetura bioclimática. A iniciativa é parte de um projeto desenvolvido pelo Grupo de Trabalho Câmara Climática, liderado pelo professor Eduardo Krüger, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PPGEC).

A ideia surgiu após a constatação da inexistência de câmaras climáticas dedicadas ao estudo do conforto ambiental e da escassez de pesquisas nessa área no Brasil. Um dos motivos para isso é a questão financeira. Normalmente, a construção de uma câmara climática demanda investimentos na ordem de R$ 1,2 milhão a R$ 6 milhões. Por sua vez, o projeto desenvolvido na UTFPR busca construir uma câmara com investimentos inferiores a R$ 100 mil.

Pouco realizado no Brasil, o estudo do conforto ambiental é mais frequente em países desenvolvidos. A Alemanha, por exemplo, conta com uma moderna câmara climática do Karlsruhe Institute of Technology, denominada Laboratory for Occupant’s Behaviour, Satisfaction, Thermal comfort, and Environmental Research (LOBSTER), onde o professor Krüger teve a oportunidade de realizar pesquisas em 2014 e 2015, durante o pós-doutorado. O LOBSTER, inclusive, serviu como referência para a construção das câmaras climáticas no Câmpus Curitiba.

O estudo do conforto ambiental se justifica em um cenário em que as pessoas têm passado cada vez mais tempo no interior de edificações, permanecendo cerca de 70% do tempo em ambientes internos. “É nesse contexto que se destaca a importância do conforto ambiental e sua influência nos mais variados aspectos, desde o humor à produtividade do indivíduo”, explica o pesquisador.

Além do professor Krüger, o GT Câmara Climática, que visa explorar as possibilidades de estudos com a câmara climática, é composto atualmente por Livia Yu Iwamura Trevisan, doutoranda do PPGEC, Cíntia Akemi Tamura, pós-doutoranda do PPGEC, Daniele Abe Ribeiro, mestranda do PPGEC, e Beatriz de Lyra Monteiro Gomes, aluna de Arquitetura e Urbanismo do Câmpus Curitiba e bolsista de iniciação científica.

Execução das câmaras

Cada câmara está sendo construída a partir da adaptação de um container de 10 pés em um escritório de aproximadamente cinco metros quadrados. A instalação de um aparelho convencional de ar condicionado permitirá controlar as condições internas de temperatura e umidade e uma estrutura rotacionável possibilitará a realização de testes de orientação solar.

Os recursos para a execução da câmara climática viriam inicialmente do Edital Universal MCTI/CNPq nº 01/2016, ao qual o professor Krüger submeteu o projeto “Construção de câmara climática para experimentos nas áreas de conforto ambiental e arquitetura bioclimática”. Aprovado em dezembro de 2016, com valor concedido de R$ 83.246,00, o projeto ainda não obteve a liberação do auxílio financeiro. Assim, a saída para viabilizar a pesquisa foi buscar parcerias com a iniciativa privada.

Uma das empresas parceiras é a Delta Containers, que firmou um acordo de cooperação técnica com a UTFPR e é responsável pelo fornecimento e execução das câmaras. O trabalho de execução já foi iniciado em novembro e está sendo realizado na sede da Delta Containers, em virtude da utilização de ferramentas específicas. A previsão de conclusão é fevereiro de 2018 e a instalação na sede Ecoville está programada para o início de março.

Em paralelo, também já começaram a ser executadas as instalações periféricas na sede Ecoville. A fundação foi realizada em novembro, com o auxílio da equipe de manutenção da própria UTFPR. Para aquisição dos materiais para a fundação, foi utilizada parte da verba disponibilizada pelo edital PROPPG/UTFPR nº 07/2017, no qual o professor Krüger foi contemplado com auxílio financeiro de R$ 4 mil. A próxima etapa será a execução das instalações de elétrica e lógica, previstas para fevereiro de 2018.

A construção das câmaras climáticas também está recebendo doações de Painel Wall, da Eternit, de drywall, da Placo Saint-Gobain, e de painel de OSB, da LP Brasil. A doação dos aparelhos de ar condicionado está em tramitação junto a Philco e das ferragens das portas, junto à Pado.

O projeto-piloto da câmara climática considerou o clima de Curitiba, mas, segundo Krüger, a proposta é que a câmara possa ser adaptada a todos os climas do país. “Assim, será possível realizar pesquisas nas mais diversas localidades e comparar resultados”, afirma.

Após construída, a câmara dará sequência e suporte a diversos trabalhos realizados no PPGEC, envolvendo tanto questões de conforto térmico humano como temas ligados ao desempenho térmico, lumínico e eficiência energética de edificações de modo geral. A ideia é também utilizar a plataforma, que é de baixo custo, como modelo a ser replicado por pesquisadores de países em desenvolvimento como o Brasil, onde os recursos financeiros para a realização de pequisas na área são escassos.