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Dissertação que reflete sobre consumo é a 500ª defendida no PPGTE

Pós-graduação

publicado: 15/12/2017 08h31 última modificação: 15/12/2017 08h31
Manuela Gortz (segunda, da esquerda para a direita) entre os membros da banca de defesa da dissertação nº 500 do PPGTE

Manuela Gortz (segunda, da esquerda para a direita) entre os membros da banca de defesa da dissertação nº 500 do PPGTE

O Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade (PPGTE) do Câmpus Curitiba atingiu, no início de novembro, a marca de 500 dissertações defendidas. A dissertação intitulada “O Design Emocional nas redes de solução-demanda da Economia da Funcionalidade” foi defendida no dia 1º por Manuela Gortz, sob orientação do professor Décio Estevão do Nascimento e co-orientação do professor Fréderic Huet, da Universidade de Tecnologia de Compiègne (UTC), na França.

Compuseram a banca de defesa, além do orientador, os professores Faimara do Rocio Strauhs (UTFPR), Rosamélia Parizzoto Ribeiro (UTFPR) e Aguinaldo dos Santos (UFPR). O PPGTE iniciou suas atividades em 1995 com a proposta de atuar no âmbito interdisciplinar. Atualmente oferece os cursos de mestrado e doutorado e é coordenado pela professora Nanci Stancki da Luz.

A pesquisa

A partir de um contexto atual em que são observados problemas de consumo, crise material, ambiental, econômica e social e em que surgem demandas por novos modelos de produção e consumo, a pesquisa buscou caracterizar o Design Emocional nas redes de solução-demanda da Economia da Funcionalidade, articulando três conceitos.

De acordo com Manuela, a Economia da Funcionalidade – um dos conceitos trabalhados – é uma proposta de modelo econômico com foco na venda da função e dos efeitos úteis de um produto ou serviço (não mais na venda da posse física), que procura satisfazer as necessidades dos consumidores ao oferecer uma experiência positiva. “Para isso, são oferecidas soluções completas, tendo como estratégias os Sistemas Produto-Serviço. E, para a entrega destas soluções, é necessária uma rede bem estabelecida de stakeholders (partes interessadas), para a qual são criadas novas interações e mediações, tomando por base conceitos da Teoria Ator-Rede”, explica a pesquisadora, mencionando o segundo conceito trabalhado, o de redes de solução-demanda.

Considerando que o foco na função acarreta mudanças de propriedade, Manuela quis entender como neste novo cenário se estabelecem o comportamento de consumo, a apropriação, a posse e os desejos dos consumidores e usuários, e os seus vínculos afetivos com os produtos. E foi aí que entrou o terceiro conceito utilizado na pesquisa, o de Design Emocional, campo do Design que considera o ato de projetar produtos e serviços além da mera performance funcional, explorando a relação entre os aspectos lógicos e emocionais. “Neste sentido, os conceitos do Design Emocional foram relacionados para auxiliar na projeção de experiências positivas que contribuam com a Economia da Funcionalidade”, esclarece Manuela.

Após a definição do referencial teórico, foi adotado o método da análise de conteúdo, levantando-se categorias de análise centradas nas contribuições do Design Emocional para refletir sobre o caso prático do Autolib, um sistema de car-sharing de veículos elétricos com origem na França.

Os resultados da pesquisa mostram que as contribuições do Design Emocional nas redes de solução-demanda da Economia da Funcionalidade são de quatro tipos: estratégias no Design de Produtos (níveis visceral, comportamental e reflexivo); aspectos emocionais, psicológicos e cognitivos; experiências e design centrado no usuário. Além de refletir sobre novos modos de produção e consumo, contribuindo para a disseminação da Economia da Funcionalidade e a propagação de estratégias mais sustentáveis, a dissertação propõe um novo conceito, o de redes de solução-demanda, apontado como um achado científico que pode auxiliar no desenvolvimento de novos estudos.

A pesquisa foi desenvolvida ao longo de 20 meses, de março de 2016 a novembro de 2017. Durante este período, em abril de 2017, a aluna também realizou um estágio na UTC, na França, durante o qual foi possível aprofundar os estudos nos temas de Economia da Funcionalidade e Teoria Ator-Rede.

Com o doutorado no PPGTE já em andamento, Manuela Gortz se diz honrada e realizada pela oportunidade de ter defendido a 500ª dissertação do Programa. “Além de contribuir para o avanço do conhecimento científico nos temas abordados pela dissertação, é muito gratificante poder participar e fazer parte de um pouco da história dos 22 anos do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade”, completa.