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Vermicompostagem pode virar fonte de renda para famílias

Desperdício Zero

Técnica de separar alimentos não cozidos pode ser nova prática no descarte de resíduos residenciais
publicado: 01/06/2021 12h55 última modificação: 01/06/2021 12h55
Técnica pode ajudar famílias em situações de vulnerabilidade (Foto: Decom - Campus Medianeira)

Técnica pode ajudar famílias em situações de vulnerabilidade (Foto: Decom - Campus Medianeira)

Sabe aquela fruta ou verdura que acaba estragando em nossas residências? Você já imaginou que, ao invés dela ir direto para o lixo, poderia ser fonte de renda de outras famílias ou fazer parte de uma técnica de compostagem na sua própria casa? O projeto de pesquisa 'Técnicas de Vermicompostagem e Educação Ambiental para promover cidades e comunidades sustentáveis', organizado por pesquisadores dos Programas de Pós-Graduação em Formação Científica, Educacional e Tecnológica (PPGFCET) e em Tecnologia e Sociedade (PPGTE) do Campus Curitiba, além de profissionais do Coletivo Lixo Zero, pode tornar isso uma realidade.

Em parceria com a Prefeitura de Curitiba, Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (SMAN) e a Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação - Vale do Pinhão, o projeto está sendo estudado e discutido entre as ações de melhoria do desenvolvimento sustentável da cidade.

“O grande valor deste projeto é evitar que o cidadão curitibano envie o seu resíduo orgânico não cozido para o Aterro Sanitário, o que o transforma atualmente em um passivo ambiental, mas sim que ele tenha diversas opções de dar uma finalidade mais adequada e que possa contribuir com o ciclo dos nutrientes”, explica a coordenadora do projeto na UTFPR, Tamara van Kaick.

Segundo a coordenadora, o próprio gerador de resíduos pode realizar o tratamento em sua residência, ou entregá-lo para uma rede de famílias, ou pequenos negócios que gerem renda por meio deste resíduo. “Desta forma é possível evitar o envio deste resíduo riquíssimo em nutrientes para o aterro sanitário e sim, transformá-lo em um ativo ambiental, um nutriente que volte para o ciclo do alimento”, completa.

De acordo com os pesquisadores, a técnica não exige investimentos altos e o material a ser adquirido é de fácil acesso, podendo ser realizado em espaços confinados. “Poderia favorecer  famílias e comunidades em situação de vulnerabilidade, com a implementação de um negócio de produção de húmus para a venda, por exemplo”.

O projeto foi aprovado para ser executado na Fazenda Urbana de Curitiba e teve início em janeiro de 2021. Alguns testes são realizados nos laboratórios da UTFPR, coletando amostras, e outros são realizados em uma área destinada pela Prefeitura com equipamentos portáteis e sensores: a Fazenda Urbana do Cajuru, inaugurado em junho de 2020 em uma área de 4.435 m².

“Uma cidade inteligente, como Curitiba, também promove a difusão de práticas e técnicas de produção de alimentos e organização comunitária, a fim de contribuir para a educação social, alimentar e ambiental da população”, afirma a presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação do Vale do Pinhão, Ana Cristina Martins Alessi.

O secretário municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, Luiz Dâmaso Gusi, também reforça a importância do projeto. "O espaço irá conscientizar sobre os problemas do desperdício de alimentos, consumo consciente e obesidade", completa.

Outra linha de atuação do projeto é com relação à formação dos professores, para que seja incluída a vermicompostagem como tema de projetos interdisciplinares e prática pedagógica para a Alfabetização Científica e Ecológica dos alunos da educação básica.

O projeto será apresentado em agosto durante a quarta edição do Simpósio de Graduação e Pós-Graduação do Departamento Acadêmico de Química e Biologia (IV SIMDAQBI) do Câmpus Curitiba.

SIMDAQBI

Este e outros projetos estarão no Simpósio de Graduação e Pós-Graduação do Departamento Acadêmico de Química e Biologia. Este ano, ele terá sua quarta edição e será realizado entre os dias 23 e 27 de agosto. O evento ocorrerá on-line e será gratuito.

O objetivo do evento é vincular a sociedade, indústria, centros de pesquisa e universidades, para proporcionar uma reflexão sobre as diversas áreas de atuação para profissionais da área. 

A palestra de abertura será realizada pelo pesquisador do Departamento de Química da Universidade da Califórnia (Campus Davis - EUA), Dean J. Tantillo.

Os trabalhos apresentados nesta e nas próximas edições do Simpósio devem estar alinhados com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Os melhores trabalhos farão parte de edições especiais das revistas Tecnologia e Sociedade, e Eletrônica, Científica e Inovação, ambas da UTFPR.