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Pesquisador de Dois Vizinhos coordena estudos em todo o Paraná

Erosão dos Solos

André Pellegrini faz parte da Rede Paranaense de Agropesquisa
publicado: 18/08/2021 10h43 última modificação: 18/08/2021 10h51
Vista aérea do Campus (foto: acervo pessoal)

Vista aérea do Campus (foto: acervo pessoal)

Um pesquisador do Campus Dois Vizinhos, André Pellegrini, faz parte da Rede Paranaense de Agropesquisa, criada para estudar conservação do solo e da água nas atividades agropecuárias do Estado. Ele é o coordenador da Rede desde 2017, a qual dividiu o Estado em seis mesorregiões levando em consideração as diferenças de clima, solos e culturas que predominam nas diferentes regiões.

Na mesorregião Sudoeste, são realizados seis estudos e quatro deles nas instalações do Campus Dois Vizinhos. A Instituição conta com uma estação experimental de 195 hectares para as pesquisas realizadas, principalmente, pelos cursos de Agronomia, Engenharia Florestal, Zootecnia e Ciências Biológicas.

Para as pesquisas relacionadas à erosão, o professor realizou a implantação de duas megaparcelas (estações para a pesquisa) em uma área de lavoura de 4 hectares do Campus. Uma delas com terraço (barreiras feitas com o próprio solo, em nível) e outra sem.

Nas demais mesorregiões, a mesma estrutura de estudo está sendo realizada para comparações e levantamento de dados da pesquisa e, em cada uma delas, há uma instituição de ensino e/ou pesquisa participando dos estudos.

Erosão

O professor André Pellegrini explica que há muitos problemas no Plantio Direto realizado no Estado, principalmente pela compactação do solo, o que limita a infiltração da água das chuvas intensas, e leva ao processo de erosão. “A falta de rotação de culturas, pouca palha sobre o solo, e o não uso, ou o uso inadequado de terraços agrava o problema”, afirma.

Para coletar informações detalhadas que levam ao problema gerado pela erosão, em uma área de lavoura (megaparcelas) do Campus Dois Vizinhos, foi instalada uma calha para medir a vazão das enxurradas, e, assim, quantificar as perdas de solo, água e nutrientes.

“Com isso será possível mostrar as perdas aos agricultores de cada região de estudo e melhorar a conservação do solo do Paraná. Além disso, foi selecionada outra área maior utilizada para entender, se esse solo que sai da lavoura, pode chegar a uma represa de produção de energia elétrica”, exemplifica.

Essa área possui uma pequena bacia hidrográfica, na qual foi instalada uma calha Parshall (usada para medição de vazão em canais abertos)  para medida da enxurrada e instalação de equipamentos eletrônicos de monitoramento (chuva, vazão e turbidez) para obter dados de forma detalhada e em longo prazo.

Com os dados já levantados pelos pesquisadores, foram observadas as diferenças entre as áreas com e sem terraços. “Por exemplo, em uma chuva ocorrida em maio de 2019, em Dois Vizinhos, de 68 milímetros, na área sem terraço houve escoamento de 40 litros por segundo, totalizando 45 m³ de volume de enxurrada, ou seja, 3,4% do volume da chuva. Já onde os terraços estão implantados, escorreram apenas seis litros por segundo, chagando apenas 11 m³ de volume de enxurrada e 0,8% da chuva se transformou em escoamento na superfície do solo. Representando uma perda total de solo de 305 kg na área sem terraço e de 27 kg na com terraço”, explica.

Segundo o professor, essas informações ajudarão na tomada de decisões de qual critério técnico será o mais adequado para determinar parâmetros como espaçamento e dimensionamento de terraços em diferentes intensidades de chuvas.

Rede

Os estudos tiveram início no final de 2017 através de um edital da Fundação Araucária e da Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) do Governo do Paraná, em parceria com o Sistema FAEP/SENAR-PR. O investimento é de R$ 12 milhões, dos quais 75% foram liberados para instalação e estruturação das pesquisas e o restante será liberado em outubro deste ano, para darem continuidade às pesquisas pelos próximos três anos.

As mesorregiões são divididas em: Noroeste – Castelo Branco (coordenada pela Unicesumar); Noroeste – Cianorte (coordenada pela Unicesumar); Oeste – Toledo (coordenada pelo IDR-PR); Norte – Cambé (coordenada pelo IDR-PR); Campos Gerais – Ponta Grossa (coordenada pela UEPG); Central – Guarapuava (coordenada pela UEPG); e Sudoeste – Dois Vizinhos (coordenada pela UTFPR).

Na UTFPR, o professor investiu R$ 1.266.050,00 para compra de equipamentos de monitoramento de erosão, estação meteorológica, adequação de instalações para a pesquisa, equipamentos de laboratório para realizar as análises como, perda de nutrientes das áreas das megaparcelas e de uma pequena bacia hidrográfica (64 ha) que possui um riacho que nasce dentro do campus da Instituição.

Ao todo, são 19 instituições, universidades e/ou fundações privadas e institutos contempladas no projeto, que reúne 150 pesquisadores. O projeto conta ainda com 55 bolsas de pesquisas.

Ainda, com relação aos investimentos, 25% do valor do projeto foi investido em bolsas de pesquisa (01 pós-doutorado, 04 de apoio técnico, 03 de iniciação cientifica (IC), além de outras 03 por editais da UTFPR), que além de formar pessoas qualificadas, são elas as responsáveis por levantar as informações e estar no local do monitoramento da erosão no momento das chuvas intensas.

“Estes projetos estão ajudando na coleta de dados para a Rede Estadual e contribuem muito para o ensino com aulas práticas, sobretudo aos cursos vinculados a ciências agrárias. Além disso, auxiliam no planejamento rural das propriedades, com participação de técnicos, agricultores e estudantes”, completa.